Resenha – WandaVision – 1ª Temporada

WandaVision – Sobre Caos e Luto

ATENÇÃO – O texto contém spoilers sobre todos os episódios de WandaVision. Não leia se não quiser estragar sua experiência

 

Após 9 episódios, WandaVision chega ao seu fim, trazendo a certeza de que a Marvel entrou no mundo da TV com o mesmo sucesso dos cinemas.

Ainda que o universo de capas e uniformes já tenha sido retratado em seriados, a verdade é que Agentes da Shield ou Demolidor não tiveram o mesmo nível de investimento e ligação com o MCU antes, ao contrário de WandaVision, que contou com a produção executiva de Kevin Feige (responsável pelo MCU) e com os mesmos atores dos filmes da Marvel, fato inédito até então.

Centrado na história de Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen) após os acontecimentos da Saga do Infinito, Wandavision trouxe aos espectadores algo que eles não esperavam do Universo Marvel: Novidade.

A série, dirigida por Matt Shakman, combina o estilo das clássicas sitcoms (comédias de situação, em inglês) com o MCU. Nela, Wanda Maximoff e Visão (Paul Bettany), dois seres superpoderosos vivendo suas vidas suburbanas, começam a suspeitar que nem tudo é o que parece.

Essa inspiração das sitcoms fez com que a história rendesse tributos ao longo de seus episódios, que se passavam em épocas distintas. De “I Love Lucy” (década de 50) à “Modern Family” (anos 2000), várias séries foram retratadas, ou homenageadas.

Como o Visão havia morrido no final de “Vingadores: Ultimato”, a sua presença em Westview, cidade onde se passa a trama, era um dos muitos mistérios que a história ofereceu. A isso somam-se os peculiares moradores da cidade de Westview, e sua aparente apatia sobre o mundo de faz de conta em que vivem. Com exceção à alguns momentos em que a vizinha Agnes (Kathryn Hahn) parecia estar brevemente ciente da situação, todos os outros moradores da cidade viviam seus papéis de coadjuvantes de uma série de comédia, como por magia.

Ao longo dos episódios, o espectador descobre que tudo não passa de uma simulação criada por Wanda para lidar com a dor da perda, e que o Visão que conhecíamos está morto (não de verdade), e foi substituído, na fantasia de Wanda, pela sua lembrança do sintozóide.

Com episódios semanais, o intervalo de exibição de WandaVision fez com que os telespectadores criassem todo tipo de teoria sobre o que estaria por trás dos mistérios de Westview. Mefisto (a versão do Demônio do universo Marvel) foi uma das grandes constantes dessas teorias. No quinto episódio, com a participação surpresa de Evan Peters (que havia interpretado o mutante Mercúrio, irmão de Wanda, no universo da Fox dos X-Men), as teorias foram ficando cada vez maiores. Multiverso, mutantes, Magneto, Doutor Estranho…tudo entrava de alguma forma na explicação da série.

Mas no fim, tudo se resumia à dor que Wanda sentia por ter perdido seu amor. Sendo revelada como uma bruxa com poderes latentes, despertados pela Jóia da Alma, Wanda usou seus poderes para criar uma realidade onde pudesse ser feliz, com seu marido, dois filhos (interpretados por Julian Hilliard e Jett Klyne) e até um cachorro, numa casa no subúrbio. A fantasia americana perfeita.

Nos últimos episódios da série, a vizinha Agnes, na verdade, se revela como a bruxa Agatha Harkness, que quer absorver os poderes da bruxa do caos Wanda, explicando que essa era uma “Feiticeira Escarlate”, um ser descrito em livros de bruxaria como responsável por acabar com o mundo.

Ao mesmo tempo, descobrimos que a S.W.O.R.D (Divisão de Resposta de Observação de Arma Senciente) vinha tentando reconstruir o Visão após sua morte em Ultimato, e pretendia utilizá-lo como a arma perfeita, livre de sentimentos e emoções.

Um bom conflito, certo? Duas bruxas, dois robôs, capas, socos e feitiços.

Mas aí entra o problema da expectativa. O fã queria mais. Queria Mefisto, Doutor Estranho, todos os X-Men pulando na tela e uma conclusão épica. E quando, ao invés disso, recebeu uma história sobre a dor de perder um ente amado, achou que era pouco.

O último episódio tem o duelo entre as duas feiticeiras, e um embate lógico entre os dois Visões. Wanda consegue derrotar Agatha desenhando runas nas paredes do Hex (a proteção de forma hexagonal que mantinha a mágica dentro de Westview), e Visão faz o Visão branco perceber quem ele é, na verdade.

Wanda precisa abrir mão de toda a fantasia que criou, se despedindo de seus filhos, e do seu marido, enquanto vê o feitiço que havia criado sumir, trazendo a cidade de volta ao normal, e deixando a heroína sozinha para lidar com seu luto.

As cenas finais trazem alguns ganchos para futuros filmes, o que pode deixar o fã animado, mas no fim, a história nunca foi sobre isso.

Faltou ao fã perceber que essa não era uma grande saga do universo Marvel, mas sim uma história de amor, de perda e de luto. De como a vida é caótica, e de como se cada um de nós tivéssemos os mesmos poderes que a Feiticeira Escarlate (como disse Monica Rambeau, interpretada por Teyonah Parris), teria feito todo o possível para ter mais um momento com os que já se foram.


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André Escobar