Resenha – Battle Royale (Livro)

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“Na batalha de todos contra todos, há os que enlouquecem, os que se revoltam, os que extravasam os piores instintos, os que buscam se alienar – e até os que assumem com prazer a missão de eliminar pessoas que horas antes eram colegas de classe. Nesse ambiente, o fio do suspense se mantém esticado o tempo todo – é possível confiar em alguém? Do que um ser humano é capaz quando toda forma de violência passa a ser incentivada?”

[Restam apenas 42 Estudantes]

Battle Royale é um livro de ficção distópica, suspense e terror escrito por Koushun Takami em 1999. O polêmico livro em pouco tempo vendeu mais de 1 milhão de exemplares e apenas um ano depois ganhou adaptações para o cinema e mangás.

Na trama, quarenta e dois estudantes da mesma turma estão em um ônibus a caminho de uma excursão, quando repentinamente um gás é liberado e todos adormecem. Ao despertarem, se encontram em uma sala de aula e com uma coleira no pescoço e descobrem que foram selecionados para “O Programa“.

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O Programa é um jogo anual onde uma sala de estudantes do nono ano do ensino fundamental é escolhida aleatoriamente para lutar entre si, até que reste apenas um estudante. Este programa é realizado pelo governo da República da Grande Ásia, um país totalitário liderado pelo Supremo Líder e que vê os Imperialistas Americanos como seus maiores inimigos. O jogo tem como objetivo, teoricamente, ser um experimento militar.

Na sala de aula os alunos recebem todas as instruções e regras, tudo feito para que o jogo aconteça sem imprevistos e sem possibilidades de burlarem o objetivo final, que é apenas um sobreviver. Nesse momento o autor mostra como a ideia do jogo foi bem pensada, pois ao conhecermos as regras percebemos o quão desesperadora a situação é. Por exemplo, uma das regras é que, a cada período um quadrante do campo de batalha se torna restrito, e quem tiver nesse local tem a coleira do pescoço explodida, frustrando o plano de pessoas que querem apenas se esconder, sem lutar. Outra regra importante é que, se em 24 horas ninguém morrer, todos morrerão com a explosão da coleira, forçando os alunos a lutarem entre si. Resumindo, ou você joga, ou você morre.

Ao sair da sala, cada estudante recebe uma bolsa com suprimentos e uma arma para o jogo. A arma é totalmente aleatória, podendo ser desde uma metralhadora até um simples garfo.

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O livro tem uma grande quantidade de personagens e todos tem sua importância, sendo bem trabalhados no decorrer da história. Cada personagem é bem detalhado, e vemos o porquê do comportamento de cada um dentro do jogo. É interessante também ver a mudança que alguns personagens apresentam após determinados fatos ocorridos. Os personagens são bem humanos e tem suas qualidades e defeitos bem definidos e coerentes com seus atos. O fato de todos os nomes serem orientais e alguns serem parecidos pode dificultar a leitura e complicar um pouco o entendimento da trama para quem não está acostumado com isso.

A narrativa é simples e dinâmica. O autor não perde muito tempo descrevendo coisas desnecessárias e em todo momento existe ação, tensão e suspense. A narrativa apresenta um defeito simples, porém incômodo: o autor em muitos momentos quando vai citar algum personagem repete alguma característica  relacionada ao mesmo, como por exemplo, ao descrever o protagonista Shuya, repetir inúmeras vezes o fato de ele ter sido um exímio jogador de baseball sem necessidade nenhuma.

No quesito terror, o autor abusa muito da violência e descreve bem até demais as cenas de mortes e lutas entre os personagens, no entanto o maior terror não é o gore, e sim o psicológico. A confiança é o sentimento mais explorado, pois como apenas um deve sobreviver ao findar do programa, sempre existe a desconfiança daqueles que estão no mesmo grupo, e quando estudantes se encontram, sempre existe um clima de tensão e imprevisibilidade. Amigos se tornam inimigos, e a insegurança e medo dos personagens são transmitidos perfeitamente ao leitor.

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Um fato interessante é que, entre uma morte e outra, nos é mostrado um pouco mais sobre a cultura e política da República da Grande Ásia, e descobrimos que o que era para ser o Japão se tornou um país totalitário onde as pessoas são controladas pelo medo. O desfecho do livro é excelente e imprevisível, fechando muito bem tudo que foi construído no livro todo.

Battle Royale é um excelente livro, que transmite perfeitamente um clima de tensão e impotência perante uma situação desesperadora, e que nos faz imaginar o que faríamos se estivéssemos no lugar dos personagens.


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Ficha Técnica

Título: Battle Royale
Autor: Koushun Takami
Páginas: 664
Gênero: Ficção, Terror, Suspense
Lançamento Original: 1999
Lançamento no Brasil: 2013
Editora: Globo Livros

 

Bruno Audi

Bruno Audi

Criador de trocadilhos e piadas ruins. Terceira pessoa mais sem graça do Brasil. Podcaster no Los Chicos, viciado em games e filmes de terror. Pretendo estar vivo até o final de One Piece e Game of Thrones.
Bruno Audi

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  • Diego Ferreira

    ótimo livro! totalmente recomendado!

    • http://podcastloschicos.com.br Bruno Audi

      Sim, gostei mais dele do que do mangá e do filme!