Análise – Until Dawn

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“Quando oito amigos ficam presos em uma montanha isolada, as coisas começam a fugir do controle e eles começam a suspeitar que não estão sozinhos. Tensos e com medo, eles são forçados a tomar difíceis decisões que podem definir quem irá viver ou morrer até o nascer do sol.”

Essa é a premissa de Until Dawn, jogo de terror desenvolvido pela Supermassive Games em 2015 e exclusivo para PlayStation 4.

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O enredo do jogo é muito parecido com filmes de terror adolescente, onde um grupo de amigos se vê preso em um local onde coisas estranhas começam a acontecer e eles devem lutar contra uma ameaça desconhecida para sobreviver. O local em questão é um chalé nas montanhas, pertencente à família de Josh, um dos jovens do grupo.

A história se inicia com o grupo de amigos festejando no chalé até que uma tragédia ocorre. Um ano depois Josh decide reunir os amigos no mesmo local para se reencontrarem e provar que o passado foi superado e esquecido.

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O enredo apesar de simples é bem executado. O ponto fraco do jogo é seu início, onde os personagens são apresentados e as suas relações vão sendo explicadas. Durante esta parte o jogo é repleto de sustos bobos, gratuitos e desnecessários (como por exemplo um amigo assustando o outro) e isso só serve para trazer um pouco de ação em um começo morno, repleto de diálogos rasos e momentos totalmente dispensáveis. Após passar por esse início fraco, as coisas começam a ficar sérias e com diversas reviravoltas, e é impossível não tomar nenhum susto ou não se sentir apreensivo devido à alta imersão que o jogo traz.

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No decorrer da história é possível controlar todos os amigos do grupo e todos tem uma personalidade definida, onde suas atitudes no jogo são coerentes com essa personalidade. Quem assiste muitos filmes de terror vai conseguir facilmente identificar todos os estereótipos sempre presentes nesse gênero. Alguns dos personagens são bem irritantes, mas como o poder das decisões está em suas mãos, será possível deixá-los morrer na primeira chance que surgir.

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O fato de seus personagens não poderem bater de frente com os inimigos torna a tensão maior, pois ao correr ou se esconder qualquer deslize pode significar a morte de seu personagem ou de algum de seus amigos. O mistério sobre o quê assombra a região se mantém por uma boa parte do jogo e nos deixa curiosos e sedentos para desvendá-lo.

O formato de decisões é muito bem feito e interessante. Decisões cruciais tem menos tempo para serem tomadas, e existe a opção de não reagir (diferente dos outros jogos desse tipo, onde se o jogador não escolher, uma das decisões é escolhida automaticamente). Toda decisão tomada pode afetar o que está por vir e tornar algum momento futuro mais fácil ou mais complicado.

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Entre os capítulos nos deparamos com o Dr. Hill, um analista que conversa com um dos personagens do jogo mas que direciona as perguntas ao jogador, e através de sua análise tenta descobrir quais são seus medos, como você se sente em determinadas situações, e isso também vai mudando alguns aspectos simples dentro do jogo para tentar trazer uma experiência diferente para cada jogador.

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A jogabilidade é similar aos jogos de adventure da atualidade, onde você pode mover o personagem por um cenário restrito e interagir com outros personagens ou com itens do cenário. Quando algo acontece, as ações são realizadas por quick time events e o resultado depende do acerto ou erro do jogador.

Until Dawn oferece dois tipos de controles, o clássico, onde são utilizados botões e direcional e outro que utiliza os sensores de movimento do Dual Shock. Ambos funcionam muito bem exceto por um pequeno problema em ocasiões em que seu personagem não pode se mexer, e para isso o controle não pode ter nenhum movimento sequer, e nessas horas a vibração do controle pode atrapalhar e fazer você morrer.

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O jogo apresenta um sistema de totens, que podem ser encontrados pelos cenários, e cada um mostra uma pequena previsão do futuro que pode ajudar os jogadores a tomar decisões no decorrer da história. Alguns totens mostram tragédias, enquanto outros trazem orientação e fortuna e cabe ao jogador seguir o que for mostrado ou não. Além dos totens é possível encontrar itens relacionados ao passado do local, o que ajuda a desvendar o mistério aos poucos e incentiva a vasculhar todo o cenário.

O menu “efeito borboleta” mostra todas as escolhas do jogador, e as consequências provenientes dessas escolhas. Com isso é possível saber o que fazer de diferente no caso de um recomeço.

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Os gráficos de Until Dawn são muito bons; os personagens foram desenvolvidos com modelos de atores reais e é possível notar as emoções dos personagens sendo muito bem demonstradas pelas expressões faciais. Os cenários são bem feitos e sem falha alguma e efeitos em geral, como iluminação, névoa e neve são todos bem executados..

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O som do jogo utiliza bem o clichê dos filmes de terror, aumentando a música nos momentos de susto. O som ambiente é muito bom e ajuda muito na imersão, principalmente se um fone de ouvido for utilizado. A dublagem original está muito boa, porém a dublagem em português apresenta algumas falhas como vozes sem muita emoção e que não condizem com os personagens e falta de sincronia.

O desfecho do jogo é simples porém satisfatório, não deixando pontas soltas e deixando uma grande vontade de jogar tudo novamente para saber o que seria afetado no caso de outras escolhas.

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Until Dawn traz diversos clichês de filmes de terror, porém de uma forma boa e bem adaptada para um game. O jogo entrega perfeitamente o que se propõe a fazer, e para amantes do terror é uma ótima pedida, rendendo bons sustos e horas de diversão.

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Ficha Técnica

Título: Until Dawn

Data de Lançamento: 25 de Agosto de 2015

Plataforma: PlayStation 4

Produtora: Supermassive Games

Bruno Audi

Bruno Audi

Criador de trocadilhos e piadas ruins. Terceira pessoa mais sem graça do Brasil. Podcaster no Los Chicos, viciado em games e filmes de terror. Pretendo estar vivo até o final de One Piece e Game of Thrones.
Bruno Audi

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  • Dennerson Samarony

    Until dawn, uma das gratas surpresas do ano passado. É fato que ele recebeu pouca atenção quanto a anúncio e hype, mas acredito que a falta disso justamente contribuiu pro sucesso do game. E o que o torna tão legal nada mais é que a simplicidade dos filmes de terror dos anos 70 e 80, que crescemos assistindo e nos tornando fãs a cada dia. Em uma época, onde o terror buscava no cotidiano das pessoas introduzir sua lendas e contos, colocando assim um psicopata enorme e mascarado com uma serra em uma cidade interiorana do Texas, uma família atormentada por espíritos malignos após se mudarem pra uma nova casa em Amytiville, um garoto que conseguia ver espíritos de gente morta, a tão perseguida Cindy em sua jornada contra o Ghostface,lol. Ou seja, eram pessoas normais cheias de esteriótipos, como todos nós, que em meio a suas vidas cotidianas tinham de enfrentar o terror que se lhes sobrevinha. Hoje, tudo basicamente se resume, a zumbis, zumbis,zumbis e mais zumbis. O apocalipse zumbi, uma infecção de um vírus zumbi, uma bomba nuclear que transformou muitos em zumbi,affffff. Daí, nos vem um jogo de terror, com super apelo cinematográfico, com temática voltada aos gloriosos dos anos citados, sem fazer uso da modinha ”zumbilística”. Não tem como não gostar.

    • http://podcastloschicos.com.br Bruno Audi

      Realmente, esse jogo foi uma ótima surpresa! Teve pouca atenção da mídia e dos jogadores e acho que por chegar de fininho assim surpreendeu legal (para mim foi um dos três melhores do ano)! Todos que conheço que jogaram elogiaram bastante. O jogo fez o simples, se inspirou em filmes de terror clássicos e trouxe muita tensão! O legal do jogo foi que os personagens são humanos, não tem o “fodão” que foi colocado lá só para o pessoal gostar e comprar Action Figures, e por isso são frágeis, o que dá medo de morrer a qualquer instante.

      O legal foi que usaram um inimigo que foi muito bem explicado, colocou relatos de jornais, explicou a origem, construiu todo o enredo desse inimigo, e surpreendeu demais, pois eu jamais esperaria por aquilo.